Instituto Pensar - Funcionários dos Correios anunciam greve a partir de 18 de agosto

Funcionários dos Correios anunciam greve a partir de 18 de agosto

por: Nathalia Bignon 


Entre os pontos criticados pelos grevistas estão o planejamento de privatização dos Correios pelo governo de Jair Bolsonaro – (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Trabalhadores dos Correios anunciaram uma nova greve nacional a partir do próximo dia 18 de agosto. A paralisação é uma resposta ao que o sindicato da categoria chamou de "ataques promovidos” pela administração da empresa e às tentativas de "desqualificação” do trabalho dos funcionários e sindicalistas, que tentam dialogar sobre as recentes mudanças internas desde o início de julho.

Entre os pontos criticados pelos grevistas estão o planejamento de privatização dos Correios pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido), além da retirada de 70 direitos do atual Acordo Coletivo. Entre eles, estão a perda de 30% do adicional de risco, vale-alimentação, licença maternidade de 180 dias e auxílio-creche. O novo acordo tem vigência de dois anos e valeria até o fim de 2021.

Os trabalhadores pedem, ainda, novos concursos públicos para renovação e aumento do efetivo e melhores condições de trabalho durante o período da pandemia. Em um manifesto, divulgado no último dia 31 de julho, funcionários dos Correios denunciaram o "descaso” e a "negligência” da empresa com a saúde dos colaboradores durante a crise sanitária.

"Apesar de alegarem gastos vultuosos com equipamentos de segurança, em muitas agências, principalmente no interior do país, esse material nunca apareceu e não há condições sanitárias adequadas para funcionamento das agências/serviços. Em vários locais, a empresa só forneceu álcool gel e sabonete líquido, ou testagem, graças à decisões judiciais, as quais a empresa lutou para derrubar, o que demonstra a má fé na condução da crise. Inclusive, a empresa se nega a fornecer os dados de funcionários e terceirizados infectados pela Covid-19, bem como a quantidade de óbitos na categoria”, diz a nota.

Além da paralisação, o sindicato da categoria orienta pela realização de assembleias dos 36 sindicatos no dia 17 de agosto para deflagrar a interrupção das atividades. "Todos as unidades da federação já encontram-se em estado de greve”, finalizou, a nota.

Confira, na íntegra, a nota dos trabalhadores:

A partir da intransigência dos Correios em negociar e aos ataques promovidos via imprensa desqualificando o trabalho de quase 100 mil trabalhadores, 36 sindicatos dos trabalhadores dos Correios definiram em amplo debate na última sexta feira a reorganização do calendário de luta da categoria para a realização de grande greve nacional a partir de 0h do dia 18 de agosto. A categoria vem tentando dialogar com a direção da estatal desde o início de julho. Entre os principais pontos estão a retirada de 70 direitos do atual Acordo Coletivo, com vigência de dois anos (até 2021), como 30% do adicional de risco, vale alimentação, licença maternidade de 180 dias e auxílio creche, entre muitos outros.

Os trabalhadores ainda lutam contra a privatização alardeada pelo Governo Bolsonaro e a cúpula dos Correios como prioridade. A partir dessa meta, o governo vem promovendo o sucateamento e fechamento das agências, promovendo demissões para facilitar a privatização. Hoje os trabalhadores dos Correios respondem por parte importante da movimentação da economia nacional, com o crescimento vertiginoso do e-commerce e pela prestação de um serviço essencial, nos rincões do país, aonde empresas de logística não atuam. A categoria ainda denuncia o descaso e negligência da empresa com a vida de trabalhadores e clientes. Sindicatos e Federação têm travado uma luta judicial para garantir equipamentos, sabonete, álcool em gel, desinfecção de agências, testagem de trabalhadores e afastamento de grupos de risco, que coabitam com grupos de risco ou que possuem filhos em idade escolar.

A empresa não promove concurso público para garantir o funcionamento adequado dos Correios, e expõe a vida dos trabalhadores e clientes. Apesar de alegarem gastos vultuosos com equipamentos de segurança, em muitas agências, principalmente no interior do país, esse material nunca apareceu e não há condições sanitárias adequadas para funcionamento das agências/serviços. Em vários locais, a empresa só forneceu álcool gel e sabonete líquido, ou testagem, graças à decisões judiciais, as quais a empresa lutou para derrubar, o que demonstra a má fé na condução da crise. Inclusive, a empresa se nega a fornecer os dados de funcionários e terceirizados infectados pela Covid-19, bem como a quantidade de óbitos na categoria.

Os trabalhadores ainda sofrem, além da retirada de 70 direitos históricos conquistados pela categoria, com o aumento na participação dos planos de saúde, em detrimento da redução da participação da empresa. Lembrando que a mídia de piso salarial é de 1.700 mensais. Diante da intransigência da empresa, da proposta de RETIRADA de direitos e da negligência com a vida e saúde do trabalhador ecetista, a FENTECT, que representa mais de 60 mil trabalhadores em todo o país, em reunião realizada na parte da tarde da última sexta feira para unificação das bases e inclusão de sindicatos não filiados à Federação, orienta a realização das assembleias no dia 17 de agosto e deflagração da greve a partir das 00h do dia 18 de agosto. Todos as unidades da federação já encontram-se EM ESTADO DE GREVE.

Com informações do Metrópoles



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